O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (7), aumentar a taxa básica de juros, a Selic, de 14,75% para 15% ao ano. Esse é o maior patamar desde julho de 2006 e representa a sétima alta consecutiva. A decisão foi unânime.

    De acordo com o BC, a medida busca conter a inflação, que segue pressionada, e garantir sua convergência para a meta. A nova taxa ficará vigente pelos próximos 45 dias, até a próxima reunião, marcada para os dias 29 e 30 de julho.

    O Banco Central informou que essa alta é compatível com a estratégia de combate à inflação, que, segundo as projeções, deve fechar 2025 em 5,2% e 2026 em 4,5%, ambos acima da meta estabelecida. A projeção oficial do Copom para 2026 é de 3,6%.

    O comunicado do comitê também sinalizou que, se o cenário econômico se confirmar, a tendência é de que o ciclo de alta seja encerrado na próxima reunião, permitindo avaliar os efeitos acumulados da política monetária adotada desde setembro de 2024, quando as taxas começaram a subir após um longo período de cortes.

    O BC reforçou que, diante de expectativas de inflação desancoradas, será necessário manter a política monetária em um patamar significativamente contracionista por um período prolongado.

    A Selic se aproxima do nível registrado entre maio e julho de 2006, no fim do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando chegou a 15,25% ao ano.

    A elevação da Selic impacta diretamente o consumo e os investimentos, encarecendo o crédito e reduzindo a atividade econômica, com o objetivo de conter a alta dos preços, especialmente dos alimentos, que tem sido um dos principais desafios do governo.

    O mercado financeiro, segundo o Boletim Focus, projeta que a Selic deve encerrar 2025 em 12,5%, 2027 em 10,5% e 2028 em 10%, sem perspectiva de que volte a ficar abaixo de dois dígitos até o fim do mandato de Lula e do presidente do BC, Gabriel Galípolo.

    Caso a inflação permaneça fora da meta por seis meses consecutivos, o BC deverá enviar uma carta pública ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando os motivos do descumprimento, conforme a nova regra da meta contínua de inflação implementada este ano.

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