Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram como um lobista tentou articular um empréstimo de R$ 300 milhões, usando documentos falsificados, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para donos de fintechs suspeitas de lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, os envolvidos inflaram artificialmente o capital da empresa I9Pay para R$ 6 milhões e fraudaram um balanço anual deficitário, com o objetivo de conseguir o crédito milionário. A tentativa foi frustrada pelos sistemas de compliance do banco.
Em uma das conversas, o lobista Christian Simões promete ao empresário conhecido como Burnett que o dinheiro estaria garantido. “Trezentos milhões você tem mesmo lá viu, eu gosto de você porque você não mente”, disse. O empresário respondeu que já estava estruturando os números para dar entrada com R$ 160 milhões.
O caso foi descoberto durante a Operação Wolfie, deflagrada em outubro de 2024, que é um desdobramento da Operação Concierge. Na fase anterior, 14 pessoas foram presas por lavagem de dinheiro estimada em R$ 7,5 bilhões. A investigação revelou que as fintechs operavam como falsos bancos, burlando fiscalizações do Banco Central e facilitando atividades ilícitas, inclusive de empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O BNDES afirmou que não houve liberação do empréstimo e que é vítima na tentativa de fraude. O banco também declarou que colaborou integralmente com a PF e que seus mecanismos internos impediram o golpe.
A PF apura se o lobista realmente tinha acesso a servidores do BNDES ou se vendia falsa influência. Até o momento, não foram encontrados registros de sua entrada na sede do banco. As investigações seguem em segredo de Justiça.
