O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender publicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nessa terça-feira (8), por meio de sua rede social Truth Social. Em nova publicação, o republicano afirmou que Bolsonaro está sendo vítima de uma “caça às bruxas” e pediu que ele seja “deixado em paz”. A postagem foi acompanhada da publicação anterior, feita na segunda-feira (7), com críticas à Justiça brasileira.
Segundo Trump, Bolsonaro sofre perseguição semelhante à que ele próprio teria enfrentado nos EUA. “O grande povo do Brasil não vai tolerar o que estão fazendo com seu ex-presidente”, afirmou. “Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo.” Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou nota oficial por meio do Palácio do Planalto, sem citar diretamente Trump.
“A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei”, destacou.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também se pronunciou: “Trump deveria cuidar dos seus próprios problemas. Está muito equivocado se pensa que pode interferir no processo judicial brasileiro.”
Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação em uma trama golpista após as eleições de 2022. Ele é acusado por crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa e golpe de Estado. Se condenado, pode pegar até 39 anos de prisão, segundo especialistas.
Além disso, o ex-presidente está inelegível até 2030 após duas condenações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, incluindo o uso do 7 de setembro durante a campanha de reeleição e uma reunião com embaixadores estrangeiros na qual atacou, sem provas, o sistema eleitoral.
Nos bastidores, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também investiga o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, por suposta articulação nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Ele teria defendido sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, durante reuniões com congressistas americanos.
