O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, nessa quarta-feira (30), por meio da chamada Lei Magnitsky. Ao mesmo tempo, que aliviou pressões econômicas ao reduzir o tarifaço contra produtos brasileiros, o que deve preservar cerca de 43% das exportações para o mercado americano, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).

    Trump ainda manteve a taxa de 50% anunciada anteriormente, composta por uma alíquota inicial de 10% e um adicional de 40%, no entanto, a lista de produtos afetados foi significativamente reduzida, com 694 itens isentos da sobretaxa de 40%, entre eles suco de laranja, aço, petróleo, fertilizantes, celulose, castanhas e minérios. Esses itens serão atingidos apenas pela taxa de 10%.

    Segundo o governo federal, o resultado parcial foi fruto da atuação do vice-presidente Geraldo Alckmin, que liderou as negociações com representantes dos setores afetados e autoridades americana, se reunindo mais de uma vez com o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, que passou a admitir a retirada de itens da lista, o que se confirmou nesta quarta.

    A medida foi bem recebida por empresários e pelo governo brasileiro, apesar do impacto parcial na balança comercial. O tarifaço entra em vigor na próxima quarta-feira (6), mas ainda há expectativa de novos recuos da Casa Branca.

    Do lado político, a sanção contra Alexandre de Moraes foi considerada mais simbólica que efetiva. O ministro não possui bens ou contas nos Estados Unidos e não renovou seu visto para entrada no país. A medida, incentivada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), não interfere no julgamento de Bolsonaro no STF.

    O ex-presidente é réu por tentativa de golpe de Estado e deve ser julgado em setembro, juntamente com outros integrantes do núcleo central da investigação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defende a condenação dos envolvidos e a revisão dos benefícios concedidos ao ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

    Após os anúncios dos EUA, o presidente Lula (PT) afirmou que era um “dia de defender a soberania”. Em reunião com ministros ele reforçou que o Brasil continuará defendendo sua autonomia diante de pressões internacionais.

    E o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deu uma declaração reiterando que o Brasil está aberto ao diálogo, mas não cederá em questões internas que tramitam na Justiça brasileira.

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