O ex-servidor público Felipe Gabriel Jardim foi condenado, nesta segunda-feira (19/1), a 17 anos de prisão pela morte do ex-sogro João do Rosário Leão, de 63 anos, em Goiânia. Ele foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado e absolvido da acusação de porte ilegal de arma. O crime ocorreu em 27 de junho de 2022, dentro da farmácia de propriedade da vítima, no Setor Bueno. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Felipe entra no estabelecimento e atira na cabeça do ex-sogro. João, que era policial civil aposentado, morreu no local.
Durante o julgamento, a defesa alegou que o réu não teve intenção de matar e afirmou que ele apresentava transtornos mentais à época dos fatos. Os advogados sustentaram que laudos e acompanhamentos nas áreas de Psicologia Jurídica e Psiquiatria Forense indicariam comprometimento do estado psíquico do acusado. Felipe Gabriel está preso desde junho de 2023, quando foi condenado a três anos de reclusão por ameaça e violência psicológica contra a ex-namorada. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele teria utilizado uma arma de fogo para intimidar a mulher e o filho dela, que tinha quatro anos na época.
Ex-sogro morto a tiros
Após o crime, a defesa voltou a levantar a hipótese de insanidade mental. No entanto, um laudo pericial concluiu que Felipe tinha plena capacidade de entendimento no momento em que efetuou os disparos. O documento aponta que ele apresenta episódios de humor depressivo associados a sintomas psicóticos, caracterizando um transtorno que, contudo, não compromete sua capacidade de discernimento. Conforme o laudo, o acusado tinha consciência da gravidade do ato cometido.
Felipe fugiu após o crime e foi localizado e preso três dias depois, na casa de familiares.
Motivação
De acordo com as investigações, o crime teria sido motivado por um boletim de ocorrência registrado por João do Rosário contra o ex-genro por violência doméstica. O policial aposentado presenciou uma discussão entre Felipe e a filha, Kennya Yanka, com quem o acusado manteve um relacionamento de cerca de um ano. Na ocasião, ele teria sacado uma arma e disparado para o alto. A ex-namorada relatou que Felipe chegou a ligar avisando que mataria o pai.
“Ele me ligou cedo e disse que ia matar o meu pai. Fui correndo atrás dele, mas não atendia. Peguei o carro para ir até lá, mas o pneu furou. Quando desci para pedir ajuda, ele ligou dizendo que tinha matado meu pai e que vinha atrás de mim”, contou Kênnia Yanka à época.
O Ministério Público denunciou Felipe Gabriel por homicídio duplamente qualificado e porte ilegal de arma. A denúncia foi aceita pela Justiça.
