quinta-feira, março 12

    Uma pesquisa liderada por cientistas brasileiros identificou um novo gênero e uma nova espécie de peixe extinto que habitou o Nordeste do Brasil há cerca de 125 milhões de anos. Batizado de Gondwanacanthus decollatus, o fóssil foi encontrado na Formação Morro do Chaves, situada no município de São Miguel dos Campos, em Alagoas. A descoberta, publicada na revista científica Papers in Palaeontology, revela informações cruciais sobre a evolução dos peixes modernos.

    O exemplar, que mede aproximadamente 24 centímetros, pertence ao grupo dos Acanthomorpha, que inclui espécies atuais famosas como o bacalhau, o robalo e a garoupa. O traço mais marcante do G. decollatus é a presença de espinhos verdadeiros e não segmentados nas nadadeiras dorsal e pélvica, uma característica anatômica avançada para a época em que viveu.

    Importância Evolutiva De acordo com os pesquisadores da UFMT, USP e UERJ, este achado é o registro mais antigo do mundo de um peixe com essas características, indicando que o surgimento dos peixes com “raios espinhosos” ocorreu entre 20 e 25 milhões de anos antes do que a ciência estimava anteriormente.

    Na época em que o animal vivia, no início do período Cretáceo, o supercontinente Gondwana estava em processo de fragmentação, dando origem ao Oceano Atlântico Sul. O ambiente onde o fóssil foi preservado era provavelmente uma região costeira com influência marinha, reforçando Alagoas como um local estratégico para entender como a biodiversidade global se moldou durante a separação dos continentes.

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