Um estudo inédito conduzido pela Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (Afip) em parceria com a Unifesp revelou que a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), historicamente restrita a ambientes hospitalares, está em franca expansão nas comunidades de São Paulo. A pesquisa, que analisou mais de 51 mil casos entre 2011 e 2021, aponta uma mudança epidemiológica preocupante: enquanto as infecções dentro dos hospitais caíram cerca de 2,48% ao ano, os casos registrados fora dessas unidades cresceram, em média, 3,61% anualmente.
Essa inversão indica que a transmissão da superbactéria agora ocorre no cotidiano da população, em ambientes comuns e sem controle sanitário hospitalar. O estudo mapeou mais de 600 unidades de saúde na região metropolitana de São Paulo e identificou bairros onde a taxa de presença da MRSA na comunidade já supera os 20%. Os grupos mais vulneráveis detectados na análise foram crianças menores de 3 anos e idosos acima de 65 anos, que apresentam maiores riscos de complicações caso contraiam o microrganismo.
O Staphylococcus aureus pode viver na pele ou nas vias respiratórias de forma inofensiva (colonização), mas torna-se perigoso quando invade o organismo, causando desde infecções cutâneas até pneumonias graves e sepse. O fato de a bactéria ser resistente à meticilina limita drasticamente as opções de tratamento, tornando as infecções comunitárias um desafio complexo para a saúde pública. Os pesquisadores alertam que o combate a essas superbactérias deve agora focar não apenas em protocolos hospitalares, mas também na conscientização sobre o uso correto de antibióticos e na vigilância epidemiológica urbana.
