O congelamento de óvulos aumentou as possibilidades de planejamento da maternidade. Ao mesmo tempo, a tecnologia levanta uma nova pergunta: ela representa autonomia reprodutiva ou pode criar expectativas sociais sobre quando e como a mulher deve ter filhos?

Nas últimas duas décadas, o congelamento de óvulos deixou de ser um procedimento restrito a mulheres em tratamento oncológico ou com risco de infertilidade e passou a integrar o debate sobre planejamento reprodutivo. A técnica conhecida como vitrificação permite preservar óvulos em baixíssimas temperaturas, mantendo sua estrutura celular para uso futuro em tratamentos de reprodução assistida.

O avanço tecnológico foi significativo. Desde que a técnica se consolidou, por volta da década de 2010, as taxas de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento ultrapassam 90% em muitos centros especializados. Isso transformou o congelamento de óvulos em uma ferramenta cada vez mais considerada por mulheres que desejam adiar a maternidade ou para aquelas que têm dúvidas se terão vontade de ter filhos mais para frente.

Segundo dados da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), o número de ciclos de congelamento de óvulos para preservação da fertilidade cresce de forma consistente em diversos países. No Brasil, clínicas de reprodução também relatam aumento significativo da procura, especialmente entre mulheres na faixa dos 30 anos.

Uma tecnologia que amplia possibilidades

O congelamento de óvulos pode representar uma alternativa importante para mulheres que desejam preservar a possibilidade de gestação no futuro. Isso inclui situações em que a maternidade é adiada por motivos profissionais, pessoais ou por ainda não haver um parceiro com quem se deseja ter filhos.

Do ponto de vista biológico, a fertilidade feminina está diretamente relacionada à idade. A quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem progressivamente ao longo dos anos, especialmente a partir dos 35 anos. O congelamento permite preservar os óvulos coletados em uma fase mais jovem da vida reprodutiva, quando as chances de sucesso são maiores.

Por esse motivo, muitos especialistas em reprodução humana consideram a técnica uma forma de ampliar a autonomia reprodutiva feminina.

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