segunda-feira, junho 22

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, entre sexta-feira (19) e sábado (20), a Operação Red Fox, com o objetivo de desarticular uma estrutura financeira e logística transnacional ligada à facção criminosa Comando Vermelho (CV).

A ação resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva contra investigados suspeitos de lavar dinheiro e financiar a compra de armas e drogas no exterior para a organização criminosa.

Entre os alvos está Arnaldo Ribeiro, apontado pelas investigações como responsável por negociar a aquisição de 10 fuzis AK-47 para a facção. Segundo a Polícia Federal, ele também atuava como operador financeiro ligado a repasses destinados à compra de armamentos e teria movimentado mais de R$ 150 milhões em operações realizadas em áreas de fronteira.

Dois dos investigados foram localizados no Suriname, onde foram detidos por autoridades locais e posteriormente deportados para o Brasil. Após desembarcarem em Belém, no Pará, ambos foram presos pelas forças de segurança brasileiras.

Outros dois suspeitos foram capturados em território nacional. Um deles foi preso no Rio de Janeiro e o outro em Tabatinga, no Amazonas, município localizado na região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

De acordo com a PF, o investigado preso em Tabatinga era responsável por uma empresa utilizada para movimentar recursos financeiros da organização criminosa na região amazônica.

Além dos homens presos, uma mulher foi detida no Suriname. Conforme as investigações, ela atuava como operadora logística e financeira do esquema criminoso e realizou viagens ao país em períodos compatíveis com movimentações consideradas suspeitas pelos investigadores.

A Polícia Federal identificou que o grupo utilizava empresas de fachada, laranjas, depósitos fracionados, transferências via Pix e contas bancárias de passagem para ocultar a origem ilícita dos recursos. Os investigadores também encontraram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.

As medidas judiciais foram autorizadas pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e incluem bloqueio de ativos, sequestro e indisponibilidade de bens, além da suspensão de atividades econômicas de empresas investigadas.

Segundo a PF, o valor dos bloqueios autorizados pela Justiça pode chegar a quase R$ 500 milhões. O objetivo é enfraquecer a estrutura financeira do Comando Vermelho, impedir a ocultação de patrimônio e interromper o financiamento das atividades criminosas.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos, localizar possíveis foragidos e aprofundar a análise financeira e das comunicações dos suspeitos.

Share.