A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai coordenar um estudo no Brasil para testar uma nova estratégia de prevenção contra o HIV que exige apenas duas aplicações por ano. A pesquisa irá avaliar o uso do lenacapavir, medicamento aprovado recentemente no país, e poderá subsidiar uma futura incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS).

    Batizado de ImPrEP LEN Brasil, o estudo será realizado nas cidades de Campinas, Florianópolis, Manaus, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, acompanhando o uso do medicamento como profilaxia pré-exposição (PrEP) — método voltado a pessoas que não têm o vírus, mas estão mais expostas ao risco de infecção.

    O lenacapavir foi aprovado pela Anvisa no dia 12 de janeiro e será utilizado na pesquisa em sua forma injetável. Diferentemente das opções atuais de PrEP, que exigem o uso diário de comprimidos, a nova proposta prevê aplicação semestral, o que pode facilitar a adesão ao método preventivo.

    O medicamento pertence a uma classe inovadora de antirretrovirais e atua em diferentes etapas do ciclo de replicação do HIV. Para participar do estudo, é necessário apresentar teste negativo para HIV antes do início do uso.

    A pesquisa será voltada a homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas biologicamente do sexo masculino e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos. As doses serão fornecidas pela farmacêutica Gilead Sciences, e o início das aplicações depende da chegada ao Brasil de agulhas específicas para a administração.

    Além de avaliar a eficácia e a segurança do lenacapavir, os dados obtidos vão contribuir para as etapas de análise do medicamento no sistema público de saúde. Antes de uma eventual oferta pelo SUS, o remédio ainda passará pela definição de preço máximo pela CMED e pela avaliação da Conitec, que emitirá parecer ao Ministério da Saúde.

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