O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta sexta-feira (6) a divulgação do laudo médico elaborado por peritos da Polícia Federal sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento conclui que ele não precisa ser transferido para um hospital, mas deve ter cuidados médicos reforçados para reduzir o risco de complicações, especialmente cardiovasculares.

    Após exame físico e análise de exames laboratoriais e de imagem apresentados pela defesa, os médicos apontaram que Bolsonaro possui sete doenças crônicas. Apesar disso, o laudo afirma que as comorbidades não justificam, neste momento, a necessidade de cuidados hospitalares. Os peritos ressaltam, porém, a necessidade de otimização dos tratamentos e de medidas preventivas para evitar agravamentos, como um possível infarto.

    Bolsonaro foi examinado no dia 20 de janeiro, na unidade prisional conhecida como Papudinha, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Segundo os médicos, não foram identificados quadros como depressão ou pneumonia aspirativa.

    Entre as condições de saúde diagnosticadas estão hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono em grau grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais. O laudo também registra que, durante a entrevista, o ex-presidente não apresentou sinais de desesperança ou perda de interesse, embora demonstrasse abatimento.

    Os peritos avaliaram ainda as condições da cela e das áreas comuns da unidade prisional e fizeram recomendações para melhorar o acompanhamento de saúde. Entre elas estão a instalação de grades de apoio e dispositivos de emergência, acompanhamento contínuo nas áreas comuns, avaliação nutricional especializada, prática regular de atividade física conforme tolerância clínica e tratamento fisioterápico contínuo.

    O laudo foi solicitado por Moraes após a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, em janeiro. O ministro concedeu prazo de cinco dias para que a defesa e a Procuradoria-Geral da República se manifestem. Após esse período, ele deverá reavaliar os pedidos de prisão domiciliar por razões humanitárias, com base na idade e no estado de saúde do ex-presidente. Não há prazo definido para a decisão.

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