Um estudo publicado na revista científica The Lancet identificou que a obesidade, além de estar associada a doenças crônicas como diabetes e problemas cardiovasculares, também aumenta significativamente o risco de agravamento, hospitalização e morte por doenças infecciosas.
A pesquisa, liderada por cientistas da University College London (UCL), analisou dados de mais de 540 mil pessoas do Reino Unido e da Finlândia, acompanhadas por um período médio de 13 a 14 anos. Os resultados indicam que pessoas com obesidade apresentam um risco 70% maior de hospitalização ou morte por infecções em comparação com indivíduos com peso considerado saudável.
De acordo com o estudo, pouco mais de uma em cada dez mortes por doenças infecciosas no mundo pode ser atribuída à obesidade. Em pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 40, o risco de infecção grave foi até três vezes maior. A associação foi observada em uma ampla variedade de infecções, incluindo gripe, Covid-19, pneumonia, gastroenterite e infecções urinárias, mas não foi identificada para HIV grave ou tuberculose.
Os pesquisadores destacam que a relação entre obesidade e infecções graves não foi explicada por doenças crônicas associadas, como diabetes ou síndrome metabólica, nem por fatores de estilo de vida. Evidências anteriores sugerem que a obesidade compromete o sistema imunológico, causando inflamação crônica e desregulação imunológica.
O estudo também encontrou indícios de que a perda de peso pode reduzir o risco de infecções graves. Pessoas que emagreceram apresentaram um risco cerca de 20% menor em comparação com aquelas que permaneceram obesas. Segundo os autores, o crescimento global da obesidade tende a aumentar o número de hospitalizações e mortes por doenças infecciosas, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à alimentação saudável, atividade física e manutenção da vacinação em dia.
