Os brasileiros devem sentir ainda mais no bolso o peso da Páscoa de 2026. Os preços do chocolate em barra e dos bombons acumulam inflação de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro, segundo dados do IPCA, índice oficial calculado pelo IBGE. O aumento é muito superior à inflação geral do período, que ficou em 4,44%.
A elevação acontece justamente às vésperas da Páscoa, que será celebrada em 5 de abril, e tem como principal causa a disparada do preço do cacau no mercado internacional. A quebra da safra entre 2023 e 2024 em grandes produtores mundiais, como Gana e Costa do Marfim, elevou as cotações da commodity a níveis históricos — chegando ao maior valor em cerca de 50 anos, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas.
Mesmo com alguma redução recente nas cotações, os efeitos da alta ainda chegam ao consumidor. Especialistas apontam que a cadeia global do chocolate, que envolve diversas etapas de produção e processamento, torna a redução de preços mais lenta. Além disso, o aumento da renda e do emprego no Brasil também sustenta a demanda, permitindo que a indústria repasse custos ao varejo.
Entre os mais de 370 itens monitorados pelo IPCA, poucos tiveram inflação maior do que a do chocolate. O aumento também ocorreu de forma generalizada, com altas registradas em todas as capitais e regiões metropolitanas pesquisadas.
Enquanto isso, alguns alimentos básicos seguem caminho contrário. No mesmo período analisado, feijão e arroz apresentaram queda expressiva nos preços, resultado da maior oferta no país.
