Uma simples fotografia do dorso da mão e do punho cerrado pode ser a chave para identificar a acromegalia, um distúrbio hormonal raro e grave. Pesquisadores da Universidade de Kobe, no Japão, desenvolveram um modelo de inteligência artificial (IA) capaz de detectar sinais da doença com alta precisão, oferecendo uma nova esperança para pacientes que costumam esperar anos por um diagnóstico correto.
A acromegalia é causada pela produção excessiva do hormônio do crescimento (GH), geralmente devido a um tumor benigno na glândula hipófise. Por ser uma condição de evolução lenta, as mudanças físicas — como o aumento das mãos, pés e alterações nos traços faciais — costumam ser atribuídas ao envelhecimento natural. Sem tratamento, a doença pode reduzir a expectativa de vida em até 10 anos e causar complicações sérias, como diabetes e problemas cardíacos.
Para treinar o sistema, os cientistas utilizaram milhares de imagens de centenas de participantes. O grande diferencial desta tecnologia é o foco na privacidade: enquanto outros modelos dependem do reconhecimento facial para identificar doenças, esta IA utiliza apenas as extremidades do corpo, reduzindo o desconforto dos pacientes e protegendo suas identidades.
Nos testes, a IA superou inclusive médicos experientes na identificação dos sinais precoces. A expectativa é que a ferramenta funcione como um sistema de triagem acessível, especialmente para médicos generalistas ou em regiões com poucos especialistas, garantindo que o paciente seja encaminhado rapidamente para os exames de sangue e imagem que confirmam a patologia.
