Por Thallysson Alves / Ascom HGE
O que começou como uma dor torácica intensa durante a rotina de trabalho no campo quase terminou em tragédia para o agricultor José Izídio Pereira Filho, de 57 anos. Morador do povoado Pé Leve, na zona rural de Limoeiro de Anadia, ele encontrou as orientações que precisava em Arapiraca e o tratamento que salvou a sua vida ocorreu no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.
Fumante e sem o hábito de realizar check-ups regulares, José Izídio Pereira Filho havia saído cedo para vender seus produtos agrícolas na feira da cidade. Enquanto comercializava alface, coentro, tomate, cebola e macaxeira, que ele mesmo produz, começou a sentir fortes dores no peito.
“Eu senti uma dor muito forte, diferente de tudo que já tinha sentido. A dor era ‘na boca do peito’, rolando de um lado para o outro. Era uma dor que você rolava pelo chão. Fiquei com medo de morrer”, relatou o agricultor de Limoeiro de Anadia.
Inicialmente, ele procurou atendimento em sua cidade, onde foi medicado e liberado. Sem melhora, decidiu seguir para Arapiraca, segunda maior cidade de Alagoas, onde fez exames em um hospital. Entretanto, diante da gravidade do quadro, foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) arapiraquense, que, posteriormente, o transferiu para o HGE, na capital alagoana.
No HGE, os exames foram repetidos e a equipe de cirurgia vascular identificou que José sofria de dissecção de aorta, uma condição grave e potencialmente fatal. “A dissecção de aorta acontece quando há uma ruptura na camada interna da artéria, permitindo que o sangue passe entre as camadas da parede do vaso. É uma emergência médica que pode levar à morte em poucas horas se não for tratada rapidamente”, explicou o médico radiologista intervencionista Ângelo Bomfim.
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O especialista do HGE detalhou que o diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como a tomografia computadorizada com contraste, que permite visualizar a extensão da lesão. “O diagnóstico rápido foi fundamental para o sucesso do tratamento de José. Na Enfermaria, ele foi medicado e monitorado e, com condições clínicas favoráveis, foi submetido a um procedimento endovascular na hemodinâmica”, pontuou.
Ângelo Bomfim especificou que o procedimento utilizado para salvar José é uma técnica menos invasiva, realizada por dentro dos vasos sanguíneos, sem a necessidade de grandes incisões cirúrgicas. O tratamento consistiu na implantação de uma endoprótese na aorta para corrigir a dissecção. É um procedimento moderno, que reduz riscos e acelera a recuperação do paciente”, enfatizou o médico do HGE.
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Sintomas
Segundo o especialista, a dissecção de aorta pode apresentar sintomas como: dor intensa e súbita no peito ou nas costas, sensação de rasgo ou pressão no tórax, falta de ar, tontura ou desmaio. Diante desses sinais, é essencial procurar atendimento imediato. Também é importante, preventivamente, controlar a pressão arterial, usar corretamente as medicações prescritas e manter os check-ups regulares.
“Não se deve ignorar dores fortes no peito. Muitas vezes, o paciente acha que é algo simples, mas pode ser uma condição grave, como infarto ou dissecção de aorta. O caso de José Izídio é um exemplo de como o acesso ao atendimento especializado e a rapidez no diagnóstico podem fazer a diferença entre a vida e a morte”, salientou Ângelo Bonfim.
Agradecimento
Após a cirurgia, José foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para monitoramento. Com evolução positiva, ele voltou para a Enfermaria na Ala B e, poucos dias depois, recebeu alta hospitalar. Antes de sair, o paciente declarou que o HGE salvou a sua vida, disse que se sente como um homem com 20 anos de idade e agradeceu a todos os profissionais envolvidos na sua recuperação.
“Uma coisa que eu não quero fazer mais é fumar. Beber, eu já tinha parado. Mas, fumar, não fumarei mais. Fumar não dá lucro para ninguém! O que vou fazer quando chegar em casa é comprar uma cadeira de balanço, por debaixo da árvore lá no meu sítio e ficar me balançando, me recuperando, para não ter complicações mais tarde”, compartilhou o alagoano.
Referência
Para o diretor médico Miquéias Damasceno, esse caso reforça a importância da unidade como referência no atendimento de média e alta complexidade em Alagoas. Ele parabenizou todas as equipes e ressaltou o papel da regulação e da integração entre os serviços da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que possibilitaram a transferência do paciente até a unidade adequada.
“O HGE dispõe de equipe especializada e tecnologia adequada para atender casos graves como esse. A rapidez no acolhimento e na intervenção foi determinante para salvar a vida desse pai de família”, afirmou.
