O uso de gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente espécies do gênero Urochloa, conhecidas popularmente como braquiária, pode elevar a produtividade da soja e melhorar significativamente a saúde do solo. A conclusão é de um estudo liderado pela Embrapa e publicado na revista científica Agronomy.

A pesquisa reuniu dados de 55 estudos realizados em 33 localidades brasileiras e utilizou a metodologia de meta-análise para avaliar os efeitos dessas gramíneas quando cultivadas antes da soja. Os resultados apontaram ganho médio de 15% na produtividade da cultura, o equivalente a cerca de 515 quilos por hectare.

Além do impacto na produção, os pesquisadores identificaram melhorias importantes nos indicadores biológicos do solo. Houve aumento da atividade microbiana, do carbono orgânico e de enzimas ligadas à fertilidade, fatores considerados essenciais para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

Segundo o estudo, a maioria das comparações analisadas apresentou ganhos de produtividade, enquanto os poucos casos de redução foram associados principalmente a falhas de manejo. Os pesquisadores destacam que as gramíneas tropicais devem ser vistas como bioinsumos vivos, capazes de melhorar a estrutura do solo, favorecer a infiltração de água e aumentar a resiliência das lavouras diante de adversidades climáticas.

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