A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito que apura o uso ilegal de ferramentas de espionagem dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no esquema conhecido como “Abin Paralela”. O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aponta o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e do atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, além de outras 31 pessoas.

    Segundo a investigação, a estrutura clandestina foi utilizada entre 2019 e 2021 para monitorar opositores e autoridades, incluindo ministros do STF, parlamentares e jornalistas. O esquema funcionava através do sistema israelense de geolocalização FirstMile, que permitia rastrear até 10 mil celulares por ano, a partir de dados de torres de telecomunicações.

    A PF aponta Ramagem como o principal organizador do esquema, que teria operado com conhecimento e benefício direto de Jair Bolsonaro. Carlos Bolsonaro foi indiciado por chefiar o chamado “gabinete do ódio”, que teria usado informações obtidas pela espionagem ilegal para atacar adversários nas redes sociais.

    O inquérito também revelou a existência de cinco núcleos no esquema, incluindo um que teria tentado associar autoridades, como o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia e a ex-deputada Joice Hasselmann, à facção criminosa PCC.

    Outro ponto do relatório detalha a gravação de uma reunião em 2020, na qual Jair Bolsonaro, Ramagem e advogados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discutem estratégias para monitorar auditores da Receita Federal que atuavam no caso da “rachadinha”.

    A CNN tentou contato com as defesas dos envolvidos, mas não obteve retorno. Em publicação nas redes sociais, Carlos Bolsonaro ironizou o indiciamento, associando a ação a perseguição política e às eleições de 2026.

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