A Polícia Federal (PF) concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o “principal destinatário” de ações clandestinas e da instrumentalização da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no caso conhecido como Abin Paralela. As informações constam em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgado nesta quarta-feira (18) pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.

    De acordo com o documento, a estrutura clandestina tinha como objetivo atender aos interesses do chamado “núcleo político”, que inclui o próprio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. A PF aponta que o esquema foi usado para espionar adversários, monitorar opositores e atacar o sistema eleitoral entre os anos de 2019 e 2021.

    Apesar das conclusões, Jair Bolsonaro não foi indiciado neste inquérito, uma vez que já responde por outros processos no STF relacionados aos mesmos fatos.

    A decisão de retirar o sigilo da investigação foi tomada por Moraes após vazamentos seletivos de partes do relatório. O levantamento da PF revela que a organização criminosa operava dentro da Abin, utilizando o software de espionagem israelense First Mile, comprado ainda no governo Michel Temer (MDB).

    O programa permitia rastrear a localização de pessoas por meio de dados coletados de torres de telefonia. Segundo a PF, o sistema era usado para proteger o núcleo familiar do ex-presidente, além de monitorar autoridades, adversários políticos e impedir eventuais ações do Estado que pudessem prejudicar o grupo.

    No centro das investigações também está o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, apontado como peça fundamental na montagem da estrutura paralela de espionagem.

    O relatório afirma que a organização criminosa tinha “alta potencialidade ofensiva” e operava de forma complexa e infiltrada dentro da Agência Brasileira de Inteligência, com uso indevido de recursos públicos para finalidades privadas e políticas.

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