A economia da China registrou um crescimento de 5,2% no segundo trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados nessa terça-feira (15) pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país. O resultado mantém a segunda maior economia do mundo dentro da meta anual de “cerca de 5%”, estipulada pelo governo chinês.

    O crescimento ocorre apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos e sucede a alta de 5,4% verificada no primeiro trimestre. De acordo com analistas, o bom desempenho foi impulsionado por estímulos estatais e pelo adiantamento de exportações, em meio à trégua parcial na guerra comercial com os EUA.

    “A China atingiu um crescimento acima da meta oficial de 5% no segundo trimestre, em parte devido ao adiantamento de exportações”, avaliou Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management. Já o Prognos Institute destacou que as empresas chinesas hoje representam 16% das exportações globais — o dobro da participação da Alemanha.

    Apesar dos números positivos, economistas alertam que o ritmo pode não se manter no segundo semestre. Entre os fatores de risco estão o enfraquecimento da demanda interna, a crise no setor imobiliário e a possibilidade de novos choques externos caso o presidente dos EUA, Donald Trump, eleve as tarifas contra produtos chineses a partir de 1º de agosto.

    “A crise do setor imobiliário continua sendo um grande fator de pressão de médio prazo sobre os orçamentos dos governos locais”, destacou Dan Wang, do Eurasia Group. O desaquecimento interno já vem afetando os preços no varejo e o mercado imobiliário, enquanto exportações para mercados alternativos e o acúmulo de estoques por empresas americanas ajudaram a disfarçar a fragilidade da economia doméstica.

    O futuro da guerra comercial com os EUA também deve pesar nos próximos meses. Atualmente, os produtos chineses enfrentam tarifas reduzidas de 30% como parte das negociações em andamento. Caso não haja acordo até agosto, Washington ameaça elevar a sobretaxa para 145%. Nesse cenário, Pequim poderá buscar redirecionar sua produção para mercados como União Europeia e América Latina.

    Investidores aguardam com expectativa possíveis novos estímulos por parte do governo chinês, cuja próxima reunião executiva está prevista ainda para este mês.

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