O avanço da meningite em Alagoas acendeu um sinal de alerta entre autoridades estaduais e federais de saúde. Entre 1º de janeiro e 1º de setembro deste ano, o estado confirmou 14 casos da doença causada pelo meningococo, dos quais seis evoluíram para óbito. O índice de letalidade já supera a média nacional e tem preocupado gestores, especialistas e a população. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

    A gravidade do cenário levou o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems-AL) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) a se reunirem na última semana com o Ministério da Saúde.

    O encontro teve como pauta a situação epidemiológica em Alagoas e a definição de estratégias para conter o avanço da doença. Como desdobramento, uma comitiva do Ministério deve visitar o estado na primeira quinzena de setembro para avaliar os casos registrados e definir medidas emergenciais de enfrentamento.

    Entre os diferentes sorogrupos do meningococo, o tipo B preocupa por não estar contemplado no calendário vacinal do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, apenas clínicas privadas oferecem a vacina contra essa variante, que vem atingindo principalmente crianças menores de cinco anos. A ausência dessa cobertura tem dificultado o controle da transmissão, favorecendo o caráter endêmico da doença em Alagoas.

    A Sesau já havia emitido, em julho deste ano, um alerta à população sobre a importância da prevenção, tanto contra a meningite meningocócica quanto a pneumocócica. Essa última também apresenta números preocupantes: até 12 de agosto, foram confirmados sete casos da doença no estado, com quatro mortes.

    De acordo com especialistas, a forma mais eficaz de proteção contra a doença continua sendo a vacinação. No Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacina meningocócica ACWY é disponibilizada gratuitamente em postos de saúde de todos os 102 municípios alagoanos. Ela protege contra quatro sorogrupos da bactéria causadora da meningite. No entanto, a vacina contra o sorogrupo B permanece fora da rede pública, sendo considerada de alto custo em clínicas privadas.

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