Uma audiência marcada pela empatia e senso de justiça ocorreu esta semana em Maceió (AL), quando o juiz federal Antônio José de Carvalho Araújo, da 9ª Vara Federal da capital, deixou o fórum e foi até as ruas do bairro da Levada para ouvir Amarildo Francisco dos Santos Silva, de 57 anos, que vive em situação de rua e aguardava decisão em um processo previdenciário contra o INSS.
Amarildo, que atuou por mais de 20 anos como vigilante, precisou abandonar a profissão por problemas de saúde. Desde então, enfrenta uma dura realidade: há mais de uma década vive em situação de vulnerabilidade social, sem moradia fixa e com dificuldades de locomoção, o que o impediu de comparecer às audiências anteriores.
O ex-trabalhador foi localizado em estado debilitado. Representado pelo advogado Carlos Marcel, pôde finalmente ser ouvido no local onde costuma permanecer, possibilitando a continuidade do processo que pode garantir o acesso ao benefício previdenciário.
Durante a audiência, o juiz ressaltou a importância da medida excepcional.
“Fizemos essa audiência porque o Amarildo encontra-se em situação de rua e não conseguiria chegar à Justiça Federal. Trata-se de uma questão de urgência. Na audiência, o INSS ofereceu proposta de acordo, homologamos, e, com esse benefício, acreditamos que vamos conceder uma garantia mínima para restabelecer a dignidade a esse trabalhador”, afirmou o magistrado.
A decisão simboliza mais do que o cumprimento de um dever judicial: representa um gesto de humanidade e compromisso com os direitos sociais, especialmente de pessoas em situação extrema de vulnerabilidade.
Com o acordo homologado, Amarildo deverá passar a receber o benefício previdenciário nos próximos dias, o que pode representar um recomeço depois de anos de abandono social.
