Pesquisadores do Instituto Proshark e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram que a costa do Rio de Janeiro abriga uma importante área de reprodução para espécies de tubarões ameaçadas de extinção.
O estudo aponta que a combinação de manguezais, enseadas protegidas e costões rochosos oferece condições favoráveis para a sobrevivência de fêmeas gestantes e filhotes, funcionando como um verdadeiro berçário natural para os animais.
Os resultados foram publicados nesta sexta-feira (14) na revista Brazilian Journal of Biology. A pesquisa utilizou técnicas de monitoramento com telemetria satelital, além de captura, medição e soltura dos animais de volta ao oceano.
Durante o trabalho, os pesquisadores analisaram seis fêmeas das espécies Carcharhinus brevipinna (tubarão-rotador), Carcharhinus limbatus (tubarão-galha-preta) e Carcharias taurus (tubarão-mangona). Os animais haviam sido capturados acidentalmente em atividades de pesca na região.
As análises incluíram exames para identificar características reprodutivas, como quantidade de embriões, conteúdo vitelino e estágios de desenvolvimento dos filhotes.
Segundo a bióloga Fernanda Lana, presidente do Instituto Proshark e autora responsável pelo estudo, a descoberta mostra a importância do complexo Ilha Grande-Sepetiba para o ciclo de vida dessas espécies.
“Mais do que registrar fêmeas grávidas de três espécies diferentes de tubarões, este estudo mostra que elas utilizam a região em diferentes fases da gestação, reforçando que o complexo Ilha Grande-Sepetiba pode desempenhar um papel fundamental ao longo de todo o ciclo reprodutivo desses animais”, afirmou.
A pesquisa reforça a necessidade de ações de preservação dos ambientes costeiros, considerados essenciais para a reprodução e manutenção das populações de tubarões.