A Polícia Federal detalhou como funcionava o suposto esquema de espionagem utilizado pelo empresário alagoano Alan Cavalcante do Nascimento e pela esposa, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia, presos nessa quinta-feira (18), durante a segunda fase da Operação Rejeito.
Alan é apontado pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa investigada por fraudes em licenças ambientais no setor de mineração.
Segundo as investigações, o esquema teria movimentado cerca de R$ 1,5 bilhão.
Apenas entre dezembro de 2019 e dezembro de 2024, o empresário teria recebido mais de R$ 225 milhões de empresas ligadas ao grupo.
As novas apurações indicam que a organização passou a atuar para dificultar o avanço das investigações por meio de espionagem, monitoramento ilegal e ações de sabotagem.
De acordo com a PF, Alan comandava a estrutura investigada, enquanto Tayná era uma das principais integrantes e responsável por parte da coordenação operacional.
O grupo teria acesso ilegal a informações sigilosas que só poderiam ser obtidas mediante autorização judicial ou por agentes públicos devidamente credenciados.
Segundo a Polícia Federal, os investigados recebiam relatórios detalhados sobre seus alvos.
Os dossiês continham informações como declarações de Imposto de Renda, histórico de compras realizadas pela internet, registros de vacinação, dados cadastrais e até endereços ligados a serviços de internet.
O nível de detalhamento chamou a atenção dos investigadores.
Para a PF, há indícios de participação de agentes públicos ou de uso indevido de credenciais institucionais, já que muitas das informações acessadas pertencem a bases de dados restritas do governo.
As investigações também revelaram um plano para simular uma blitz policial contra a ex-esposa de Alan Cavalcante.
A Operação Rejeito segue apurando a atuação dos investigados e a possível participação de outras pessoas no esquema.
