A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta nesta terça-feira (21) sobre o aumento de golpes que utilizam inteligência artificial (IA) para criar vídeos e áudios falsos de celebridades, influenciadores e até médicos promovendo medicamentos e suplementos alimentares nas redes sociais.
Segundo a agência, a tecnologia conhecida como deepfake permite manipular imagens, vídeos e vozes para simular recomendações feitas por pessoas que, na realidade, nunca indicaram os produtos. O objetivo é dar credibilidade a medicamentos clandestinos, falsificados ou sem autorização para comercialização.
A Anvisa destaca que esse tipo de conteúdo tem sido usado para impulsionar a venda de produtos irregulares e orienta os consumidores a desconfiar de anúncios que utilizam figuras públicas para recomendar tratamentos de saúde.
Em fevereiro deste ano, a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, entrou com ações judiciais contra pessoas e empresas do Brasil, da China e do Vietnã acusadas de utilizar imagens e vozes manipuladas de celebridades para comercializar produtos de saúde fraudulentos.
Entre as vítimas desse tipo de golpe está o médico Drauzio Varella. Em um artigo publicado em outubro de 2025, ele revelou que tenta há anos retirar das redes sociais vídeos falsos que utilizam sua imagem para promover produtos que prometem curar doenças como diabetes, aliviar dores nas costas e provocar emagrecimento acelerado.
A Anvisa reforça que, mesmo quando uma recomendação é feita por uma personalidade de forma verdadeira, nenhum tratamento deve ser iniciado apenas com base nesse tipo de indicação. A agência lembra que cada paciente possui características clínicas específicas e que medicamentos ou suplementos devem ser utilizados com orientação de um profissional de saúde.
Outro alerta diz respeito aos influenciadores digitais contratados por empresas para divulgar produtos. Segundo a agência, mesmo quando agem de boa-fé, esses criadores de conteúdo não conhecem o histórico clínico dos consumidores e não estão habilitados para indicar tratamentos.
A orientação também vale para anúncios que apresentam supostos médicos recomendando produtos. A Anvisa recomenda verificar se o profissional realmente existe e se possui registro ativo nos conselhos de classe, como o Conselho Federal de Medicina (CFM).
Além disso, a agência alerta que medicamentos só podem ser comercializados por farmácias devidamente regularizadas ou por seus sites oficiais. A compra por redes sociais, marketplaces ou vendedores sem autorização representa um risco para a saúde.
No caso dos suplementos alimentares, a Anvisa reforça que esses produtos não podem prometer cura, tratamento ou prevenção de doenças. Alegações desse tipo são consideradas um forte indicativo de propaganda enganosa e podem estar associadas à venda de produtos clandestinos ou falsificados.
A agência também orienta os consumidores a desconfiar de anúncios que prometem resultados milagrosos, produtos "100% naturais", "sem riscos" ou comercializados como "químicos experimentais". Segundo a Anvisa, essas estratégias são frequentemente utilizadas para enganar consumidores e vender produtos sem comprovação de segurança e eficácia.
Por fim, a recomendação é que o consumidor sempre verifique a regularidade do medicamento ou suplemento junto à Anvisa e procure orientação de um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento.