A ex-prefeita de Atalaia chegou de paraquedas nas eleições de 2020 na Prefeitura de Atalaia, que até então era dividida por duas famílias. Os Albuquerque mantinham uma dinastia controlada por duas forças políticas que se mantiveram no poder por mais de 50 anos: de um lado Zé do Pedrinho, o time azul, e no outro Chico Vigário, o time vermelho. Eles eram primos.
Zé do Pedrinho veio a falecer em 2018, e isso abriu margem para a parte da família vinculada a Chico Vigário galgar um quarto mandato de maneira inédita, corrompendo acordos com o povo e entregando a cidade a índices de massa falida na Educação, Saúde e Infraestrutura.
A oposição se encontrava desarmada e sem liderança. Sem seu algoz no jogo político (Zé do Pedrinho), o lado de Chico ficou tão confiante que perdeu as estribeiras. Chico adoeceu, e seus filhos assumiram, de maneira indireta, as partes da prefeitura. Contudo, eram deficientes das habilidades políticas, carisma e visão que o pai tinha. Para entender, desde a derrota, a família não conseguiu mais eleger um nome sequer.
Logo o caminho estava livre, e foi o suficiente para uma decadência inédita no município. O que era sofrimento para a população virou um oásis para a família e parceiros políticos de Chico. O ápice veio com o fechamento do Hospital João Lyra Filho. Retornou a "abrir" nas eleições, contando com a memória fraca da população. Enganaram-se. O resultado veio.
Por isso que vale a pena começar a história de Ceci em Atalaia pelo Hospital. Ele, que é um símbolo de autonomia da cidade, foi inaugurado em 1990 por Aluísio Lopes de Medeiros, um dos poucos prefeitos desvinculados da dinastia Albuquerque em Atalaia. Desde então, o equipamento sofreu bastante em diversas mãos. Veio a fechar algumas vezes, mas seu recorde de não funcionamento veio com a última gestão de Chico Vigário.
Recursos de emendas foram destinados ao Hospital por Arthur Lira para uma grande reforma, porém ela ficava mais parada que andando durante a gestão do emedebista Chico Vigário. Os mesmos recursos foram utilizados, dessa vez com um toque feminino, e inaugurado por completo pela então prefeita Ceci em março deste ano.
O hospital foi totalmente modernizado e não lembra o anterior em nenhum único tijolo. O projeto incluiu a renovação de 100% dos ambientes, a substituição completa de móveis e a compra de novos equipamentos hospitalares.
O João Lyra Filho é um dos exemplos de sua gestão e o quanto ela tirou Atalaia de uma massa falida e transformou o coração dos atalaienses. Coração esse símbolo de sua primeira eleição, que era chamada de forasteira, mas que ganhou com quase o dobro de votos que Chico Vigário, que contava com o poder da máquina pública e a maioria da Câmara.
Apesar de criticada pela sua forma de gerir as redes, sendo chamada de "prefeita blogueira" por supostamente posar para foto em uma cheia que impactou a cidade, a população parece ter abraçado o jeito midiático da prefeita.
Acreditam que ela mostra porque faz. Já ouvi uma vez: "ruim era o anterior, que nem fazia e nem mostrava". Logo foi reeleita em 2024 com recordes. Com o índice de 79,95%, ela se posicionou entre as maiores aprovações proporcionais da Região Metropolitana e do estado.
O eleitorado feminino é a sua maior conquista. As mulheres de Atalaia são apaixonadas por Ceci. Sua forma de fazer política, direta e espontânea, ao mesmo tempo sem esconder o feminino, que muitas vezes é criticado e dado como frágil nesta área, virou um grande ativo.
Ceci foi para o PP de Arthur Lira, que tem uma conexão forte com a prefeita e sua gestão, mas sem romper com o grupo de Renan Filho.
Provou isso colocando Renan Filho, o qual já foi sua secretária de Ciência e Tecnologia, em seu primeiro ato da candidatura, e Alvinho Lira, filho e aposta de Arthur Lira nesta eleição, no mesmo palanque em Atalaia.
Na ocasião, além de lançar sua própria candidatura à Assembleia de Alagoas, saúde virou pauta novamente. Relembrando o que sua gestão fez com o Hospital João Lyra Filho: Renan fala em inaugurar um Hospital da Mulher em Atalaia.
A Saúde e o feminino unem Ceci, e ela, a partir disso e de outros pontos, consegue unir dois dos maiores grupos políticos de Alagoas. Isso pode provar que a força feminina é um ativo político forte, mas o lado pragmático que tirou as correntes e a placa de interditado do Hospital João Lyra Filho entrega o que a população mais admira: trabalho prestado