Uma pesquisa realizada revelou uma mudança no comportamento dos brasileiros em relação ao uso da inteligência artificial. Além de tarefas profissionais e entretenimento, a tecnologia passou a ser utilizada por muitas pessoas como uma espécie de confidente pessoal.
Segundo o levantamento, 58% dos entrevistados afirmaram já ter se sentido mais compreendidos pela inteligência artificial do que por outros seres humanos. O estudo também apontou que quase um terço dos participantes já chorou durante uma conversa com uma IA.
Outro dado que chamou atenção foi que 40% dos brasileiros disseram preferir conversar com uma inteligência artificial em vez de conversar com outras pessoas.
O neurocientista Álvaro Machado, sócio do Instituto Locomotiva, explicou que a relação dos usuários com a tecnologia deixou de ser apenas funcional e passou a envolver aspectos emocionais.
“Antes era uma relação mais transacional, como usar uma planilha ou pedir uma receita. De repente, essa relação se tornou afetiva”, afirmou.
A pesquisa também mostrou diferenças entre grupos. Mais mulheres relataram ter chorado em conversas com IA e se sentido compreendidas pela tecnologia, enquanto mais homens afirmaram preferir interações com ferramentas de inteligência artificial. Os jovens aparecem como o grupo mais aberto à ideia de utilizar a IA como confidente.
Debate sobre dependência emocional
O crescimento desse tipo de interação também levantou discussões em outros países. Na China, autoridades criaram regras para limitar o desenvolvimento de chatbots que simulam relações humanas e podem estimular dependência emocional.
As normas determinam que plataformas evitem incentivar vínculos excessivos, criar sensação de dependência ou prejudicar relações sociais reais dos usuários.
Para Álvaro Machado, um dos principais riscos está no fato de que a inteligência artificial oferece respostas rápidas e personalizadas, sem exigir a reciprocidade comum nas relações humanas.
Segundo ele, a facilidade desse tipo de interação pode influenciar a forma como as pessoas lidam com vínculos e conversas fora do ambiente digital.