O ministro da Fazenda, Dario Durigan, assegurou que a condução econômica do governo federal não é a grande responsável pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. Em entrevista, o chefe da pasta destacou que o foco do ministério está voltado para um robusto ajuste fiscal nos próximos anos, visando consolidar as metas de superávit e garantir a sustentabilidade das contas públicas.
A declaração ocorre em meio a críticas de analistas do mercado financeiro, que apontam uma falta de sintonia entre a política de gastos do governo e a estratégia do Banco Central (BC) para conter a inflação. Economistas comparam o cenário atual a "dois remadores puxando o barco em direções opostas", argumentando que a expansão fiscal neutraliza os esforços da autoridade monetária de desacelerar a atividade econômica através da taxa Selic, atualmente fixada em 14,25% ao ano — a maior taxa de juros reais do mundo.
Para Durigan, no entanto, os juros elevados representam o principal entrave para o desenvolvimento do setor privado e exercem forte pressão sobre a dívida pública brasileira, que atinge 81,4% do PIB. O ministro enfatizou a urgência de harmonizar a gestão de receitas e despesas com as decisões de política monetária do BC, ressaltando que o custo do endividamento é o fator que mais penaliza o balanço do Estado no momento.
Para reverter esse quadro e assegurar o cumprimento das metas fiscais — que preveem superávits graduais a partir de 2027 (0,5% do PIB) até alcançar 1,5% em 2030 —, o governo aposta em uma agenda de contenção de despesas e revisão de incentivos tributários. Durigan sinalizou que o plano inclui maior tributação sobre a renda dos mais ricos e a reavaliação de programas sociais. No entanto, o ministro descartou discutir no atual mandato a desindexação do salário mínimo de benefícios previdenciários e de pisos constitucionais de saúde e educação, classificando o tema como um debate para a próxima gestão.
O ministro também defendeu a resiliência do arcabouço fiscal aprovado em 2023. Embora reconheça que o crescimento acelerado das despesas obrigatórias comprime o espaço para investimentos livres (discricionários) e ameace o funcionamento da máquina pública, Durigan afirmou que a regra é viável. Segundo ele, o equilíbrio será mantido por meio de reformas estruturais nos gastos obrigatórios, rechaçando a necessidade de abandonar ou alterar a âncora fiscal.
Por fim, Durigan minimizou o impacto macroeconômico de programas de crédito subsidiado lançados pelo governo, como incentivos para o setor automotivo e o Desenrola 2.0. Enquanto o Banco Central atribui o forte crescimento do PIB a esses estímulos fiscais e creditícios, o ministro pontuou que tais medidas são pontuais e representam uma parcela insignificante perto do volume total do mercado de crédito nacional, que gira em torno de R$ 600 bilhões mensais.