O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode passar por mudanças no formato da redação a partir de 2028. Entre as propostas discutidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está a divisão da produção textual entre as quatro áreas do conhecimento.
Pela proposta preliminar, os estudantes produziriam 50 linhas de texto ao todo, distribuídas entre Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática.
A previsão discutida é de 20 linhas para Linguagens, 10 linhas para Ciências Humanas, 10 linhas para Ciências da Natureza e 10 linhas para Matemática.
Atualmente, o Enem cobra uma única redação dissertativo-argumentativa, com até 30 linhas, elaborada a partir de um tema específico.
Segundo participantes das discussões técnicas, a possível mudança busca ampliar a avaliação dos diferentes tipos de raciocínio dos estudantes durante o exame.
O Inep informou que ainda não há uma decisão definitiva sobre o novo formato. Segundo o órgão, existe uma proposta preliminar que será debatida e finalizada até o fim do ano.
A instituição também afirmou que mantém diálogo com especialistas e com o Ministério da Educação (MEC) para definir as mudanças, com o objetivo de alinhar o exame à Base Nacional Curricular e à Política Nacional do Ensino Médio.
Novas funções do Enem
A discussão sobre a redação ocorre após o governo federal anunciar mudanças nas funções do exame. A partir de um decreto publicado em março, o Enem também deverá ser utilizado para avaliar a aprendizagem dos estudantes ao final do ensino médio, em integração com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
O exame continuará sendo utilizado para ingresso no ensino superior por meio de programas como Sisu, Prouni e Fies.
Os resultados também deverão auxiliar na produção de diagnósticos sobre a educação básica e no acompanhamento de desigualdades e metas educacionais.