A possível saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil voltou a colocar em evidência casos de aliados e familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que deixaram o país em meio a investigações e condenações judiciais. Segundo informações divulgadas nessa terça-feira (27), a Polícia Federal apura se o parlamentar cruzou a fronteira com a Argentina. Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, e a negócios envolvendo casas de apostas.
Entre os casos está o do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, preso em dezembro de 2025, no Paraguai, quando tentava embarcar para El Salvador com documentos falsos. Condenado a 24 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, ele havia deixado o Brasil após romper a tornozeleira eletrônica. Depois da prisão, foi entregue às autoridades brasileiras e transferido para Brasília, onde cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda.
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), deixou o Brasil clandestinamente em setembro de 2025. Segundo a Polícia Federal, ele atravessou a fronteira entre Roraima e Guiana antes de seguir para os Estados Unidos com um passaporte diplomático. Condenado pelo STF a 16 anos e um mês de prisão por participação na trama golpista, Ramagem foi detido por agentes de imigração americanos em abril de 2026, mas liberado dois dias depois. Ele permanece nos Estados Unidos e é alvo de um pedido de extradição do governo brasileiro.
Carla Zambelli também deixou o Brasil em maio de 2025, após condenações por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, além da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ex-deputada passou pelos Estados Unidos antes de seguir para a Itália, onde foi presa em julho daquele ano. Ela foi libertada em maio de 2026, após a Justiça italiana negar um dos pedidos de extradição apresentados pelo Brasil. Em outubro, as autoridades italianas voltaram a analisar o caso.
Outro nome citado é Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que deixou o Brasil no início de 2025 e permanece nos Estados Unidos. Em junho de 2026, ele foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Segundo o Supremo, o ex-deputado tentou pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento da ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado. Em outubro, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena e a expedição de um mandado de prisão contra Eduardo.