A pecuária brasileira enfrenta um novo desafio após o esgotamento da cota de exportação de carne bovina para a China, principal destino da proteína produzida no país. A partir de agora, os embarques que ultrapassarem o limite estabelecido passam a ser tributados em 67%, tornando as vendas economicamente inviáveis para grande parte dos frigoríficos.
Neste ano, a China estabeleceu uma cota de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira sem a incidência da sobretaxa de 55%, medida adotada para proteger a produção local. Segundo o setor, esse volume foi alcançado em menos de sete meses.
Diante do cenário, frigoríficos passaram a reduzir os abates, suspender parte da produção destinada ao mercado chinês e conceder férias coletivas aos funcionários, principalmente em estados com forte atividade pecuária, como Mato Grosso.
Enquanto aguardam a abertura da cota de 2027, empresas e pecuaristas intensificam a busca por novos compradores internacionais, com destaque para os Estados Unidos, Oriente Médio e outros mercados consumidores de carne bovina.
Especialistas avaliam que parte da produção também poderá ser direcionada ao mercado interno, aumentando a oferta de carne no país. Ainda assim, representantes do setor afirmam que nenhum outro mercado possui, atualmente, capacidade para substituir integralmente o volume adquirido pela China, responsável por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina nos últimos anos.