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Empreendedorismo no Brasil: 35% dos trabalhadores já possuem registro no CNPJ

País alcançou maior proporção da série histórica, com 10,7 milhões de empreendedores formalizados em 2025

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Empreendedorismo no Brasil: 35% dos trabalhadores já possuem registro no CNPJ
Reprodução

O Brasil atingiu, em 2025, o maior percentual de empreendedores com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (23), 35% dos empreendedores brasileiros tinham CNPJ no ano passado, o equivalente a 10,7 milhões de pessoas.

O levantamento aponta que o país tinha 103 milhões de pessoas ocupadas em 2025, sendo 30,6 milhões consideradas empreendedoras, entre empregadores e trabalhadores por conta própria. Desse total, quase 20 milhões (65%) não possuíam registro no CNPJ.

Crescimento da formalização

Em 2012, primeiro ano da pesquisa, 24% dos empreendedores tinham CNPJ. O índice chegou a 29,3% em 2019, último ano antes da pandemia, e alcançou 33,6% em 2024.

Segundo o IBGE, o registro no CNPJ pode oferecer vantagens ao trabalhador, como emissão de notas fiscais, acesso a crédito e serviços bancários empresariais, contratação de funcionários formais e benefícios previdenciários.

Empregadores têm maior formalização

Entre os empregadores, o percentual de pessoas com CNPJ chegou a 81,1%. O IBGE considera esse nível estável em um patamar elevado desde 2019.

Já entre os trabalhadores por conta própria, a taxa chegou a 27,1%, o maior resultado da série histórica. Em 2012, esse percentual era de 15%.

O analista da pesquisa, William Kratochwill, afirmou que a formalização está relacionada ao nível de instrução dos trabalhadores.

Segundo ele, quanto maior a escolaridade, maior a preparação para o mercado de trabalho e maior a chance de registro formal.

Escolaridade influencia registro

Pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com ensino superior possuíam CNPJ: 50,8%.

Entre aqueles com ensino médio completo e superior incompleto, o percentual foi de 29,7%.

Já entre trabalhadores com ensino fundamental completo e médio incompleto, a taxa ficou em 18,6%, enquanto entre pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto foi de 11%.

MEI impulsiona formalização

O IBGE aponta que programas como o Microempreendedor Individual (MEI) ajudaram a ampliar o acesso à formalização.

O MEI permite que trabalhadores por conta própria tenham uma empresa registrada, paguem impostos de forma simplificada e tenham acesso a direitos previdenciários.

Para aderir ao programa, é necessário cumprir requisitos como exercer atividades permitidas, não ser sócio de outra empresa e respeitar o limite de faturamento anual.

Setores com mais CNPJ

Entre os grupos de atividades analisados, dois ficaram acima da média nacional de formalização:

  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 36,7%;
  • Serviços: 33,5%.

Outros setores apresentaram percentuais menores:

  • Indústria geral: 22,8%;
  • Construção: 14,8%;
  • Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 6,5%.

Sindicalização permanece estável

A pesquisa também avaliou a relação dos trabalhadores com sindicatos. Em 2025, 9,1 milhões de pessoas tinham vínculo sindical, o equivalente a 8,8% dos ocupados.

O índice apresentou queda ao longo dos anos: em 2012, era de 16,1%. Segundo o IBGE, após 2023 houve estabilidade no percentual.

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